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Conheça o peixe que muda de sexo #informação #incrível #confira

Macho, mas por pouco tempo

Um peixe-palhaço, do gênero Amphiprion, é macho, mas só por tempo limitado. Sua missão natural é crescer — ele mede oito centímetros — e virar fêmea. Dez por cento das espécies de peixes trocam de sexo uma vez na vida. Passam de macho a fêmea ou vice-versa, em um processo que leva algumas semanas para se completar. A inversão ocorre quando a proporção entre os dois sexos sofre algum desequilíbrio. Com ela, a espécie se defende. Aumentam as chances de ocorrer encontros reprodutivos bem sucedidos.

Na maior parte dos vertebrados, os indivíduos são machos ou fêmeas toda a vida. A informação sobre sua sexualidade, inscrita nos genes, não admite mudanças. Os cientistas deram um nome estranho a isso: gonocorismo.

O ser humano é gonocórico, assim como a maior parte das espécies de peixes. Para as outras espécies, a natureza reservou um menu variado de formas reprodutivas, entre elas a inversão sexual, a capacidade de trocar de sexo a partir de estímulos do ambiente. As estratégias alternativas ajudam a equilibrar a proporção entre os sexos em determinado grupo, facilitando a reprodução.

Dez por cento das espécies de peixes mudam de sexo. Os peixes transexuais dividem-se em dois grupos.

No primeiro deles, os peixes são chamados transexuais protândricos. Quando jovens, têm glândulas sexuais potencialmente capazes de produzir óvulos e espermatozóides. Quando atingem o estágio de pré-adultos, tornam-se machos sexualmente ativos.

Parte desses machos, os mais agressivos, vão desenvolver mais tarde a área feminina de suas glândulas sexuais. Não produzirão mais espermatozóides e se tornarão adultos completos. Todos os outros peixes do grupo terão seu crescimento sexual inibido.

Os cientistas estudaram peixes do gênero Amphiprion em que o processo de inibição sexual é bem visível.

O segundo grupo é chamado de protogínico. Reúne 90% dos peixes que trocam de sexo. Nesse grupo, os peixes têm ovários em sua primeira fase; as glândulas transformam-se em testículos na segunda fase. A inversão só acontece uma vez e não se realiza sempre. Somente 15% dos peixes mudam de sexo.

Algumas espécies são ao mesmo tempo transexuais e gonocóricas: incluem indivíduos que são sempre machos (ou fêmeas) e indivíduos capazes de trocar de sexo. Essas espécies são chamadas de diândricas.

A chave para entender a inversão sexual é a proporção entre os sexos em determinado grupo. A inversão é uma estratégia que permite equilibrar essa proporção rapidamente.

Se, em um cardume, houver uma queda acentuada do número de machos, por exemplo, e a espécie não for capaz de trocar de sexo, o cardume perderá um bom tempo mudando de lugar, em busca de outros machos. Nas espécies transexuais, parte do cardume inverte o sexo, e o problema se resolve.

Por que acontece a inversão? “Por uma série de fatores relacionados com o meio ambiente e com a bagagem genética da espécie”, diz o professor Robert Betito, da Universidade de Rio Grande, RS. O gatilho da inversão, diz ele, é acionado sempre que o peixe passa por uma série de encontros sexuais mal-sucedidos. Por exemplo, um macho encontra outro animal da mesma espécie e começa o ritual sexual. Só que o outro peixe também é macho. Sem resposta, o primeiro macho vai embora.

Isso acontece porque muitas espécies não têm uma diferenciação visível entre os dois sexos. Quando em um cardume ou um grupo, há um desequilíbrio na proporção entre os dois sexos, com falta de machos ou fêmeas, os peixes começam a se sentir “sexualmente frustrados”.

O norte-americano John Goodwin publicou em 1990 um estudo sobre a espécie Amphiprion melanopus. Segundo ele, dez dias depois do começo da mudança de macho para fêmea, as glândulas sexuais dos animais estudados ainda produziam espermatozóides, mas já apresentavam mudanças. No 20º- dia, praticamente só havia produção de óvulos. A partir do 45º- dia, a mudança no tamanho e no padrão de cores já estava completa. Outras espécies demoram até 100 dias para completar a inversão.

As pesquisas sobre inversão sexual entre os peixes começaram há vinte anos. Elas mostram que o fenômeno ocorre muito em lugares de águas quentes e rasas, como o Mar Vermelho, o Oceano Índico ou certas regiões do Pacífico.

No Brasil, em certos pontos do litoral do Rio de Janeiro e do Nordeste, também há várias espécies que invertem o sexo. No Rio Grande do Sul, embora a água não permaneça quente durante um período muito longo do ano, há peixes transexuais, entre eles o pargo rosa.

Alguns gêneros, como o Amphiprion, chamado peixe-palhaço por suas cores, ou peixe-anêmona, por causa de sua relação com quase 800 espécies de anêmonas, são quase totalmente transexuais.

Os Amphiprion são peixes pequenos. As fêmeas da espécie Bicinctus, por exemplo, têm 13 centímetros e pesam 46 gramas; os machos medem 11 centímetros e 28 gramas.

Há 26 espécies de Amphiprion espalhadas entre as regiões de águas quentes do planeta. Os peixes protegem-se do ataque dos predadores escondendo-se entre os tentáculos venenosos das anêmonas. Eles não nascem imunizados contra o veneno. Adquirem a imunização pouco a pouco, passando entre os tentáculos e cobrindo-se com um muco que as anêmonas produzem para que um tentáculo não envenene o outro.

Os Amphiprion não vivem em cardumes, mas em “famílias”, com um macho ou uma fêmea dominante (depende da espécie). Têm faixas coloridas e muito marcantes. Isso serve de proteção, já que cria nos predadores uma espécie de memória visual. O predador sabe que junto ao peixe com aquele padrão de cores haverá uma anêmona. Quase sempre prefere tentar comer outra coisa. 



Fonte: 


 





Reprodução I: A hierarquia

Os peixes palhaços formam unidades sociais compostas, tanto na natureza quanto em aquários coletivos. Dentro de cada grupo há um tamanho baseado na hierarquia de dominância, sendo a fêmea o maior peixe, o macho dominante (reprodutor funcional) o segundo maior e os machos não reprodutivos os menores. Apenas a fêmea e o macho dominante formam um casal, uma vez que quase todas as espécies de peixes palhaços são monogâmicas.

É interessante ressaltar que todos os peixes palhaços iniciam suas vidas como machos porém, dentro de um grupo, o peixe maior e mais dominante se torna a fêmea. Além disso, caso a fêmea de um grupo morra, o macho dominante pode mudar de sexo, tornando-se então a fêmea reprodutora, ao mesmo tempo em que o maior dos outros machos não reprodutivos cresce e se torna o novo reprodutor funcional. Tal processo de mudança do sexo masculino para feminino é conhecido como protandria, e só é possível pois os peixes palhaços são hermafroditas protândricos(eles nascem com a capacidade de desenvolver ambos os sexos, embora os órgãos sexuais masculinos se desenvolvam primeiro).
Vale ressaltar que em um grupo nunca há mudança de sexo de uma fêmea funcional para um macho funcional, caso aja necessidade. Apenas outro macho no grupo que não esteja apto para a reprodução pode se tornar o macho com capacidade para se reproduzir.

A presença do macho dominante acaba retardando o crescimento e a maturação dos outros machos no grupo, que acabam não tendo capacidade de se reproduzir nestas circunstâncias com a fêmea, até porque são repelidos com agressividade pelo macho funcional.
Nota:
É importante atenção na criação de peixes em grupos. Os membros dominantes, principalmente quando estão em fase de formação de casal, podem tanto evitar quanto matar os outros peixes que tenham um tamanho parecido ao deles.


O peixe palhaço

O peixe palhaço, também conhecido como anemonefish(peixe de anêmonas) ou nemo, é hoje em dia uma das espécies mais populares no comércio de peixes marinhos ornamentais, o que se deve ao fato de apresentarem vários aspectos favoráveis em seu cultivo, tais como adaptação ao ambiente de aquário, domínio da tecnologia de cultivo e alto valor de mercado. Suas cores vivas e seu jeitinho peculiar de nadar(ondulando a cauda e fazendo movimentos para cima e para baixo com a cabeça, quase sem sair do lugar) chamam atenção de pesquisadores e aquaristas pelo mundo, que se sentem cada vez mais atraídos por suas características únicas. Esse jeitinho encantador do peixe palhaço é tão especial que lhe rendeu até mesmo um filme, o famoso “Procurando Nemo” (Finding Nemo) da Disney Pixar, recurso este que aumentou ainda mais a demanda pela espécie.

Os peixes palhaço pertencem à família Pomacentridae e a subfamília Amphiprioninae, esta que apresenta características sexuais hermafroditas protândricas, ou seja, as gônadas funcionam primeiramente como masculinas .Existem ao todo 28 espécies de peixes palhaços conhecidas no gênero Amphiprion e mais uma no gênero Premnas, sendo que o Amphiprion ocellaris(conhecido como falso percula ou falso peixe palhaço) – que é por sinal a espécie estudada em nosso experimento – é uma das mais populares.

O peixe palhaço tem como habitat natural as águas tropicais e subtropicais dos Oceanos Índico e Pacífico, principalmente os recifes de corais encontrados em grande parte no sudeste asiático, Austrália e em ilhas ao sul do Japão, mas também ocorrem em menor quantidade no Mar Vermelho. Portanto, percebe-se que esses peixes são tipicamente marinhos, o que se faz necessário à atenção com as características da água em seu cultivo.
Como já citado, o peixe palhaço é também chamado de anemonefish, o que é atribuído à simbiose deles com as anêmonas. Elas fornecem refúgio e proteção para os peixes palhaço, e suas proles e ninhos se beneficiam dessa relação com o consumo de parasitas. Tal convívio benéfico só é possível pois o peixe palhaço possui uma cobertura de muco pelo corpo que o protege dos tentáculos urticantes da anêmona.
Interessante não?

No ambiente de cultivo não há necessidade que ajam anêmonas nos aquários. Os peixes palhaços vivem normalmente sem elas. Outras alternativas(substratos) podem entrar como uma opção para quem deseja oferecer algo aos seus peixinhos. Esse tema será discutido em breve no blog com fotos e considerações nossas.